Túnel do tempo: uma viagem pelos filmes brasileiros premiados nos últimos dez anos de festival

22 mar 2021
Bacurau, de Kleber Mendonça Filho

Em 2021 completam 47 anos que o Sesc São Paulo e o CineSesc reconhecem ano a ano, o melhor do cinema brasileiro e estrangeiro. É a premiação do Festival Sesc Melhores Filmes, que, dentre outros prêmios, laureia o melhor filme nacional nos votos do público e na opinião dos críticos de cinema. Hoje, voltando no tempo, vamos recordar as produções brasileiras que se consagraram na última década do festival, ficando na memória de todos os cinéfilos.

Basta olharmos para essa lista de filmes premiados para sentir a força, a criatividade e a pluralidade do cinema nacional na última década, estimulado por uma nova leva de artistas vindos de todas as regiões do país e fomentados por políticas públicas e investimentos sólidos no setor do audiovisual.

Nesta última década de festival, uma certa unanimidade se sobressaiu: com seus três longas de ficção dirigidos até agora, o pernambucano Kleber Mendonça Filho galvanizou os votos do público e da crítica como melhor filme brasileiro do ano em que foram lançados.

A última vez que isso aconteceu foi ano passado, na primeira edição online do Melhores. Não teve pra ninguém: Bacurau levou os prêmios de melhor filme brasileiro pelo público e pela crítica, além de outros seis prêmios. O terceiro longa do pernambucano Kleber Mendonça Filho, desta vez em parceria com Juliano Dornelles, conta a história de uma pequena cidade perdida no mapa no interior de Pernambuco que precisa se defender de uma forte ameaça, numa mistura inovadora de trama político-social com pitadas de ação e violência. Depois da consagração no Melhores, Bacurau continuou sua carreira mundo afora, tendo sido eleito o melhor filme internacional pelos prestigiados Círculos dos Críticos de Boston e Nova York, além de finalista da Associação Nacional dos Críticos dos EUA.

O Beijo no Asfalto, de Murilo Benício

Contudo, nem sempre há unanimidade entre público e crítica. Em 2019, o público escolheu O Beijo no Asfalto, uma adaptação estilosa e em preto-e-branco, da obra literária de Nelson Rodrigues, com direção de Murilo Benício, onde os atores Lázaro Ramos e Débora Falabella vivem o casal principal. Entre os críticos, a escolha foi Arábia, filme mineiro de baixo orçamento sobre um jovem que encontra o diário de um rapaz metalúrgico morto num acidente – a partir desta descoberta, vamos acompanhar a jornada do metalúrgico antes dele morrer. A direção é de Affonso Uchôa e João Dumans.

Em 2018, os prêmios foram para filmes de perfis mais comercial. O público escolheu A Glória e a Graça, de Flávio Tambellini, no qual a atriz Carolina Ferraz vive uma mulher trans que volta a procurar a irmã quando esta descobre uma doença terminal. O prêmio dos críticos foi para Como Nossos Pais, em que a diretora e roteirista Laís Bodanzky (Bicho de 7 Cabeças) analisa o difícil lugar da mulher no século 21, a partir da história de uma jovem que precisa conciliar concomitantemente os papéis de mãe, esposa, filha, dona de casa, trabalhadora.

Voltando um pouco mais no tempo… Quatro anos atrás, em 2017, outra unanimidade pernambucana: público e crítica concordaram que Aquarius, o segundo longa de ficção de Kleber Mendonça Filho, foi o melhor na categoria filme brasileiro do ano. A produção, que teve sua première mundial no Festival de Cannes, mostra a atriz Sonia Braga como uma professora aposentada que se recusa a sair de seu prédio no Recife, alvo da cobiça de grandes construtoras. Infelizmente, escolhido para representar o Brasil no Oscar, Aquarius não conseguiu emplacar entre os votantes da Academia.

Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert

Já um ano antes, em 2016, tivemos nova unanimidade: Regina Casé encantou público e crítica com a personagem Val, a empregada doméstica de Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert. O filme traz uma forte história que busca analisar algumas nuances das relações entre patrões e empregados – e a ascensão da “nova classe C”, com seu acesso recente à educação no país – conseguindo destaque isolado como o filme nacional mais aclamado daquele ano.

Dois filmes bem diferentes entre si ganharam o coração do público e crítica no festival em 2015. O público votou em peso no drama juvenil Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro, sobre a relação de um menino deficiente visual com um novo colega que chega à sua escola – o filme também tentou uma vaga no Oscar, sem sucesso. Para a crítica, o favorito foi o drama O Lobo Atrás da Porta, de Fernando Coimbra, em que a atriz Leandra Leal revive um crime famoso ocorrido no Rio de Janeiro nos anos 1960, a “Fera da Penha”.

Em 2014 foi o ano em que o diretor e roteirista Kleber Mendonça Filho conquistou sua primeira unanimidade, recebendo os troféus de melhor filme brasileiro pelos votos do público e crítica para O Som ao Redor, cuja história mostra um bairro de classe média no Recife que começa a conviver com uma milícia dentro da sua comunidade.

No ano anterior, em 2013, a unanimidade também foi pernambucana, mas de um cineasta que naquela altura já era veterano: o diretor e roteirista Cláudio Assis, com seu A Febre do Rato, sobre um poeta inconformado e anarquista que banca a publicação do seu próprio tablóide na periferia do Recife e um dia se apaixona por uma nova musa.

O Palhaço, de Selton Mello

Nove anos atrás, em 2012, as opiniões voltaram a se dividir. O público resolveu escolher o longa Capitães da Areia, adaptação do clássico literário de Jorge Amado, dirigido por Cecília Amado, neta do escritor. Os críticos se apaixonaram pelo segundo filme de Selton Mello como diretor, a comédia dramática O Palhaço, que alcançou, inclusive, um dos maiores sucessos de bilheteria de 2011.

E como estava o nosso querido festival há exatos dez anos? Em 2011, os espectadores escolheram o maior sucesso de bilheteria do ano anterior, a sequência Tropa de Elite 2, em que o ator Wagner Moura retornava ao papel do “Capitão Nascimento”. Os críticos, por outro lado, preferiram o belo e dolorido ensaio sobre perda do amor, das raízes e a força da memória: Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz.

Agora tá chegando! Vem aí os premiados do 47º Festival Sesc Melhores Filmes. No próximo dia 14 de abril, vamos conhecer os favoritos do público e crítica para as diversas categorias que homenageiam os profissionais do audiovisual brasileiro e estrangeiro. Acompanhe a cerimônia de abertura e premiação no canal do CineSesc no YouTube!

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🏆 O primeiro e mais tradicional festival de cinema de São Paulo faz 47 anos! 🍿