Os destaques brasileiros em exibição e em debate do 44º Festival Sesc Melhores Filmes

31 mar 2018

Como Nossos PaisEra o Hotel CambridgeMartírioArpilleras – atingidas por barragens bordando a resistência, A Glória e a GraçaNo Intenso AgoraLa VingançaPitangaComebackDivinas DivasBingo – O Rei das ManhãsMeu Corpo é PolíticoGuerra do ParaguayBeduíno… A lista dos brasileiros que passarão pela tela do CineSesc durante o 44o Festival Sesc Melhores Filmes é extensa e vigorosa. E prova de que o cinema nacional produz não só cada vez mais filmes como diversifica cada vez mais seu foco.

Se a realidade é complexa e plural, tanto a ficção quanto os documentários refletem o desafio que é viver no mundo contemporâneo. Quem ganha é o espectador, que pode conhecer melhor as histórias um Brasil multifacetado, narrado em longas que retratam desde figuras históricas como Tiradentes (em Joaquim) até anônimos que lutam dia a dia para fazer do País um território mais democrático, como em Era o Hotel Cambridge e Meu Corpo é Político.

E já que uma grande cinematografia se faz com grandes personagens, os cineastas brasileiros tiveram um olhar certeiro sobre figuras cruciais como as pioneiras de Divinas Divas, o Bingo, o sonhador Tony de O filme da Minha Vida, o aventureiro Gabriel de Gabriel e a Montanha, e até os anônimos de No Intenso Agora e as guerreiras de Arpilleras.

Não por acaso a programação do 44o Festival Sesc Melhores Filmes traz 20 longas nacionais, que serão exibidos de 5 a 25 de abril no CineSesc e trarão não só os premiados pelo público e pela crítica (que serão conhecidos na cerimônia de premiação na noite de 4 de abril), mas também a seleção dos mais votados. Uma vez que o cinema extrapola a tela com seus temas sempre ligados à realidade e às questões atuais da sociedade, a programação do festival se completa com as Conversas, Debates e atividades paralelas às sessões.

O cinema brasileiro em 2017 – Uma Revisão Crítica

Quem abre o ciclo de discussões é a crítica especializada, no dia 5, com o primeiro Seminário da Crítica, que conta com a participação de Cecília Barroso, Rubens Ewald Filho, Ubiratan Brasil, José Geraldo Couto, Luiza Lusvarghi e mediação de Maria do Rosário. Com entrada gratuita, o debate começa às 19h30 e faz um balanço dos temas, formatos e questões que permearam os filmes internacionais e, principalmente, os nacionais em 2017. 

No dia seguinte, sexta 6, também às 19h30 a mesa “O Olhar da Crítica Hoje” discute a expansão da crítica cinematográfica para além da academia e da mídia impressa. A youtuber Lully, e os críticos e jornalistas Luciana Veras, Raquel Gomes e Chico Fireman, com mediação de Maria do Rosário, discutem como a crítica hoje expandiu seus limites para os blogs, YouTube, revistas online e até mesmo podcasts. Com isso, trouxe novos leitores, espectadores, cinéfilos e também novos olhares para o cinema. 

Cinema da Vela debate a diversidade e a representatividade

Depois dos Seminários da Crítica, será a vez do Cinema da Vela ocupar o hall do CineSesc e as conversas entre as sessões do Festival. O tempo é curto, pois o papo dura o tempo que uma vela leva para ser queimada, mas as conversas são animadas e os temas mais ainda. No dia 11, Diversidade e Gênero no Cinema vão ser debatidos por René Guerra e Lufe Steffen, com mediação da cineasta Cláudia Priscila. Em pauta, certamente estarão longas como Meu Corpo é Político, de Alice Riff, Divinas Divas, de Leandra Legal, Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano e A Glória e a Graça, de Flavio Tambelini, além dos internacionais Uma Mulher Fantástica e Moonlight.

A forma como o cinema tem tratado a questão da representatividade é o assunto do Cinema da Vela do dia 18 de abril. Na conversa, Viviane Pistache a diretora Camila de Moraes e a roteirista Renata Martins, que vai mediar a mesa, vão tratar da presença do negro no cinema, tendo em vista não só a produção de 2017 mas também os movimentos que propulsionam a discussão do tema e a maior presença de negros também nas equipes de cinema e TV no Brasil e no exterior. Neste Cinema da Vela não poderão faltar Corra!, Joaquim, Corpo Elétrico, Pitanga, Eu Não Sou Seu Negro, entre outros filmes mais recentes, como Pantera Negra e até o recém estreado Uma Dobra no Tempo e O Caso do Homem Errado, de Camila de Moraes, que estreou há pouco e marcou a trajetória da cineasta como a segunda realizadora negra brasileira a lançar um longa no cinema. 

Conversas com Laís Bodanzky e Eliane Caffé e Carla Caffé

Entre os temas que não podem faltar quando se fala em cinema 2017, a presença da mulher é um dos principais. E é por isso que na programação das Conversas, que reúne público e profissionais para falar de suas trajetórias no auditório do CineSesc, estão escaladas as diretoras Laís Bodanzky, Eliane Caffé e a diretora de arte Carla Caffé.

Laís conversa com o público no dia 9, às 19h30, sobre o premiado Como Nossos Pais e o impacto do filme no circuito internacional e nacional. Com um olhar agudo sobre a mulher contemporânea e os pequenos-grandes desafios diários que ela tem de enfrentar, o longa traz Maria Ribeiro em uma performance memorável. Sem contar que o roteiro, escrito por Laís e por Luiz Bolognesi, dá conta de revelar as nuances entre os dilemas de diferentes gerações de mulheres, que são ressaltados pela relação entre filha (Maria Ribeiro), mãe (Clarisse Abujamra) e netas (Annalara Prates e Sophia Valverde).

Já em Conversas com Eliane Caffé e Carla Caffé, no dia 16/4, às 19h30, a diretora e a diretora de arte contam ao público como foi criar em Era Um Hotal Cambridge um universo que transita entre o documental e o real e os desafios que o projeto trouxe. O longa narra o cotidiano de tensão, mas também de convívio e experiências, dos brasileiros e estrangeiros que ocupam um prédio no centro de São Paulo e lutam pelo direito à moradia.

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Por Flavia Guerra

(Imagem: divulgação do filme A Glória e a Graça)

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